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Idosa de 80 anos morta pela Covid-19 descobriu doença após sofrer infarto, diz neta

Por NoroesteMais

03/06/2020 às 07:51:54 - Atualizado há
Filha e neto da paciente também morreram com a doença em intervalo de 10 dias, em Guapiaçu (SP), interior de SP. Marina com a avó Diva, com a mãe Marlene e a filha em Guapiaçu

Arquivo Pessoal

A idosa Diva Marques Moreira dos Santos, de 80 anos e que morreu depois de ser infectada pelo novo coronavírus, foi diagnosticada com a doença depois de infartar e ser internada no Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) em maio, segundo informou ao G1 a vendedora Marina Angélica Reversi, neta da paciente.

Diva era moradora de Guapiaçu (SP). O neto Jaiel Reversi de 29 anos, e a filha Marlene Moreira dos Santos de 51 anos, também morreram com Covid-19 em apenas 10 dias.

"Ela [Diva] infartou durante uma consulta e foi encaminhada às pressas ao Hospital de Base. Como ela teve contato com meu irmão e minha irmã, os médicos a isolaram e decidiram fazer o teste, que deu positivo para Covid-19", diz.

A idosa foi entubada e ficou internada até vir a óbito em 30 de maio. Jaiel morreu oito dias antes. Já Marlene não resistiu às complicações da doença e morreu na madrugada de segunda-feira (1º). Todos foram sepultados de forma breve, como exigem os protocolos do Ministério da Saúde.

"Enterrei meu irmão, minha avó, minha mãe, sem poder olhar para eles. Meu coração sangra. As pessoas falam que sou forte, guerreira, só que nem eu sei explicar", diz

"Essa força não vem de mim, vem de Deus. Se Ele acha que sou forte para carregar essa cruz, vou carregar. O que dói é a saudade, não me indignei, não fiquei brava com Deus por causa disso", complementa.

Assintomáticos

Avó, mãe e neto morreram após diagnóstico de coronavírus em Guapiaçu

Reprodução/Facebook

A vendedora não sabe como a contaminação teve início na família. Ela afirma que todos os parentes fizeram o teste. O irmão mais novo, de 14 anos, que morava com Marlene e Jaiel, teve negativo o teste para Covid-19.

Mas a própria Marina e a filha dela, de 4 anos, testaram positivo. "Fizeram dois exames, para saber se tinha a doença ou se já pegou. Meu irmão [de 14 anos] não pegou e não estava com a doença. Meu exame deu que eu não tinha, mas que já tive contato com a doença. Na minha filha deu que estava com o vírus, mas ela não tem os sintomas", diz.

Marina perdeu o emprego como vendedora em março. Desempregada, ela diz que vai juntar forças para continuar cuidado da filha e também do irmão.

"Elas eram o alicerce da minha família, da minha vida. Minha vida não vai parar, não podemos nos entregar. Se Deus tirou meu irmão, minha mãe e minha avó, Ele sabe que eu posso suportar. Minha mãe era meu alicerce, minha avó era meu exemplo. Vou fazer de tudo pela minha filha e meu irmão, assim como elas faziam", diz.

"Eu vou carregar essa cruz mesmo chorando, lembrando deles com muita saudade. O que dói é a saudade. Nunca imaginamos que vai acontecer conosco. Sempre achei que acontecia com outras pessoas, mas aconteceu comigo", completa.

Marina postou nas redes sociais lamentando a morte e não poder vê-los

Arquivo Pessoal

Caso de coronavírus em Guapiaçu

Até a noite desta terça-feira (2), Guapiaçu registrava 36 casos confirmados de coronavírus. Ao todo, quatro pessoas morreram depois de serem diagnosticadas com Covid-19.

De acordo com a prefeitura, 13 pacientes permaneciam em tratamento domiciliar, um internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), dois em enfermaria e 16 curados da doença.

Confira a movimentação em Rio Preto no segundo dia de flexibilização da quarentena

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Fonte: G1 Rio Preto e Araçatuba
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