Vacinar adolescentes torna mais seguro retorno às aulas, diz Fiocruz

A vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos já ocorre em algumas cidades do Brasil, conforme é concluída a vacinação da população adulta com a primeira dose.

Vacinar adolescentes torna mais seguro retorno às aulas, diz Fiocruz

A Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz) atualizou hoje (23) suas recomenda√ß√Ķes para prevenir a covid-19 no retorno às aulas presenciais e destacou que a vacina√ß√£o dos adolescentes deve ser uma das medidas buscadas para aumentar a seguran√ßa nas escolas em meio à pandemia.

Elaborado por um grupo de trabalho coordenado pela vice-presid√™ncia de Ambiente, Aten√ß√£o e Promo√ß√£o da Sa√ļde da Fiocruz, documento divulgado hoje avalia que "a implementa√ß√£o da vacina√ß√£o para adolescentes pode reduzir significativamente o fechamento prolongado de turmas, escolas e interrup√ß√Ķes de aprendizagem e lentamente permitir o relaxamento das medidas de prote√ß√£o na escola", diz o texto.

Para os pesquisadores, "n√£o h√° raz√£o para acreditar que as vacinas n√£o devam ser igualmente protetoras contra a covid-19 em adolescentes como s√£o em adultos e em conjunto com as medidas de distanciamento e uso de m√°scaras propiciem um retorno às aulas ainda mais seguro".

A vacina√ß√£o de adolescentes de 12 a 17 anos j√° ocorre em algumas cidades do Brasil, conforme é conclu√≠da a vacina√ß√£o da popula√ß√£o adulta com a primeira dose. Até o momento, somente a vacina da Pfizer é autorizada pela Ag√™ncia Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa) para essa popula√ß√£o, j√° que n√£o h√° estudos reconhecidos pela ag√™ncia sobre o uso dos outros imunizantes em menores de idade.

A Fiocruz afirma que é fundamental que a vigil√Ęncia para faixas et√°rias mais jovens e nas unidades escolares, como um todo, seja refor√ßada, j√° que essa popula√ß√£o ainda tem acesso limitado às vacinas.

Outro alerta é em rela√ß√£o à variante Delta, cuja transmissibilidade é maior que a da cepa inicial do SARS-CoV-2. "É importante ressaltar que o aumento da transmissibilidade em todas as faixas et√°rias foi relatado para as variantes de preocupa√ß√£o (Vocs) do SARS-CoV-2, mais notavelmente para a variante Delta. Em regi√Ķes onde uma porcentagem crescente de adultos est√° totalmente vacinada contra covid-19, mas onde as crian√ßas n√£o s√£o vacinadas, pode-se antecipar que, nos próximos meses, propor√ß√Ķes cada vez maiores de casos da doen√ßa relatados ocorrer√£o entre crian√ßas".

Protocolos

O guia com as recomenda√ß√Ķes da Fiocruz indica que os principais cuidados s√£o manter ambientes ventilados, usar m√°scaras de efic√°cia comprovada, manter distanciamento f√≠sico de pelo menos 1,5 metro, definir estratégias para monitoramento de casos e rastreio de contatos e promover uma higieniza√ß√£o cont√≠nua das m√£os. A funda√ß√£o também defende que a situa√ß√£o vacinal dos trabalhadores da comunidade escolar seja monitorada e que haja n√ļmero m√°ximo de ocupantes nos ambientes.

O texto sugere protocolos para lidar com o surgimento de casos de covid-19 nas escolas. Quando dois ou mais alunos que convivem em uma mesma sala de aula tiverem casos confirmados simultaneamente, é necess√°rio suspender as aulas da turma por 14 dias. J√° quando casos simult√Ęneos forem registrados em turmas diferentes, deve-se suspender as aulas presenciais por 14 dias nos dias da semana em que aquelas turmas t√™m aula. Além disso, todos os contatos próximos devem ser monitorados.

Pessoas com casos sintom√°ticos respiratórios n√£o devem frequentar a escola de forma presencial. Tal quadro pode ser descrito com ao menos dois dos seguintes sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabe√ßa, tosse, coriza, dist√ļrbios olfativos ou dist√ļrbios gustativos. Em crian√ßas, além dos itens anteriores, considera-se também obstru√ß√£o nasal, na aus√™ncia de outro diagnóstico espec√≠fico.

"É importante que haja um monitoramento muito próximo dos casos entre crian√ßas, adolescentes e adultos das comunidades escolares, além de ampla testagem ao longo dos próximos meses de retorno pleno às atividades presenciais nas escolas, sem o qual fica bastante dif√≠cil o monitoramento da real dimens√£o e significado da pandemia nestes ambientes. O momento agora é de se implementar a vigil√Ęncia epidemiológica escolar em tempo real com a produ√ß√£o de dados para o acompanhamento das experi√™ncias locais".

Segundo a Fiocruz, "a abertura de escolas geralmente n√£o aumenta de forma significativa a transmiss√£o na comunidade, especialmente quando as orienta√ß√Ķes delineadas pela Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS), Fundo das Na√ß√Ķes Unidas para a Inf√Ęncia (Unicef) e Centros para Controle e Preven√ß√£o de Doen√ßas (CDC) s√£o seguidas". Além disso, a funda√ß√£o afirma que "o risco de afastamento dos menores de 18 anos de suas atividades normais como escola e eventos sociais pode se revelar um risco maior do que o da própria SARS-CoV-2 para eles".

O documento traz dados do Ministério da Sa√ļde que indicavam que, até o in√≠cio de agosto, as crian√ßas e os adolescentes correspondiam a aproximadamente 1,5% das hospitaliza√ß√Ķes por s√≠ndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil (14.011 casos) e a 0,3% dos óbitos por SRAG em que a covid-19 foi confirmada (1.057 óbitos).

Indicadores

O estudo da Fiocruz também elenca os principais indicadores que devem ser observados para que haja um retorno seguro às aulas presenciais. O primeiro deles é a taxa de cont√°gio (R), que deve ser menor do que 1,0. Isso significa que cada caso de covid-19 infecta, em média, mais de uma pessoa. Dessa forma, o ritmo de novos casos n√£o representa um agravamento da pandemia.

Outro dado importante é a ocupa√ß√£o dos leitos de terapia intensiva para covid-19, que s√£o necess√°rios para tratar casos graves da doen√ßa. Para o retorno seguro, a Fiocruz recomenda que 25% desses leitos estejam livres.

O terceiro indicador trata dos novos casos registrados em uma localidade. O retorno seguro às aulas presenciais pode ocorrer quando novos diagnósticos n√£o superem a propor√ß√£o de nove casos para cada 100 mil habitantes nos √ļltimos sete dias.

Por fim, a funda√ß√£o pede que seja observada a taxa de testes diagnósticos (RT-PCR ou ant√≠geno) positivos, recomendando que esse percentual n√£o seja superior a 5%. Apesar disso, a pesquisa pondera que, no Brasil a média de positividade nos testes diagnósticos gira em torno de 35%. "Isso pode significar que os exames est√£o sendo realizados em sintom√°ticos moderados ou graves que procuram os servi√ßos de sa√ļde, mas também um elevado risco de transmiss√£o local."