HOLISMO

Por: Ronaldo Bertacco*

Todos estamos comentando, a favor ou contra, os efeitos climáticos das emissões de carbono na atmosfera, enquanto vemos na TV as queimadas espontâneas (ou criminosas) das florestas e as grandes enxurradas das tempestades matarem gente em quase todas as grandes cidades do planeta. O aumento das ondas de calor causou isso, desregulando a precipitação das chuvas que desabam sem o tempo de absorção dessa água toda no solo, dificultando também abastecer os reservatórios hídricos.

Holismo é uma palavra muito usada pelos ecologistas, humanistas, religiosos e políticos de centro-esquerda. Na teoria médica é entendida como sendo os "fenômenos (psicológicos e biológicos) na sua totalidade indivisível, que resulta da soma de seus componentes, não podendo ser explicados separadamente" (dicionário Houaiss). É isso o que acontece com o nosso corpo, hoje sabemos que não se pode tratar o estômago sem pensar no corpo todo, no mínimo para superar os efeitos colaterais dos remédios, ou nos resultados harmoniosos e reconstituintes da terapêutica medicinal.

Estávamos falando de chuvas torrenciais e de fogo destruindo a qualidade de vida no planeta e agora mudamos para holismo no funcionamento do corpo humano. Você já parou para pensar que "é tudo a mesma coisa"? E, ainda, se acrescentarmos aí as ilhas flutuantes do Oceano Pacífico, construídas pelo lixo que os humanos abandonam nas águas de qualquer lugar, cujo acúmulo, trazido pelas correntes marinhas as vai multiplicando; ou as tragédias de Mariana e Brumadinho, apenas duas ocorrências entre as centenas de depósitos de detritos das mineradoras; a fome das nossas favelas e de países inteiros na África; o aparecimento de novos e terríveis vírus pandêmicos, impostos entre todos nós por causa de urgências alimentares, pela carência de proteínas que apela para o consumo de animais de peçonha; etc.

Assim como o nosso estômago processa alimentos (transformando-os em energia muscular, eletricidade cerebral e renovação sanguínea) também a Terra necessita do processamento orgânico dos seus elementos no tempo e no espaço para repor o que dela retiramos e transformamos em conforto. Isso tem solução? Claro que sim.

Basta plantar árvores. Muitas. Trilhões de árvores. Enterrar as folhas caídas em vez de queimá-las. Cada um de nós deveria plantar um mínimo de cem árvores/pessoa, para sombrear o chão, captar carbono atmosférico e acumular micro-organismos, fibras vegetais e fungos processadores de massa orgânica. As árvores absorvem calor solar para produzir glicose e retiram do ar carbono para compor suas fibras. Árvores são o estômago geográfico, o processador que recompõe o extrato orgânico de onde brotam águas limpas para as nascentes que matam a nossa sede, e multiplicam a diversidade equilibradora da biosfera, sem a qual a vida não floresce e a peçonha aumenta.

*Ronaldo Bertacco é Artista Plástico e Professor de Arte